DESMATAMENTO

DESMATAMENTO

LEGAL

A sustentabilidade da pecuária bovina é um tema recorrente nas discussões sobre o agronegócio brasileiro. A atividade tem balanço de carbono positivo, ou seja, emite mais gases do efeito estufa (GEE) do que sequestra. Isso ocorre em razão de fatores como degradação das pastagens, idade de abate superior a 30 meses, desmatamento/conversão de vegetação nativa para plantio de pastagens, entre outros. Por outro lado, várias iniciativas têm sido implementadas para promover sua produtividade e reduzir seus impactos ambientais, como por exemplo as tecnologias desenvolvidas pela Embrapa para integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e a Carne Carbono Neutro.
De acordo com os dados do IBGE, entre os anos de 2000 e 2020, o rebanho bovino cresceu 29%, passando de 169 para 218 milhões de cabeças. Ao mesmo tempo, houve melhoria da qualidade das pastagens no Brasil de forma geral, em especial na Amazônia e no Cerrado. Segundo análise do Mapbiomas, a área de pastagem com sinais de degradação em 2000 correspondia a 70% do total, já em 2020, teve redução para 53%, sendo que a maior retração nas áreas de pastagens severamente degradadas ocorreu na Amazônia (60%) e no Cerrado (56%). Esses dados mostram uma tendência de melhoria nos indicadores de sustentabilidade da pecuária no Brasil.
Assim, ainda que a pecuária bovina tenha impactos negativos sobre o meio ambiente, incluindo a degradação do solo, a emissão de gases do efeito estufa (GEE) e a diminuição da biodiversidade, um melhor planejamento da atividade e das ações de manejo das pastagens pode reverter esse quadro.

Soluções para tornar a produção de carne bovina cada vez mais sustentável

Existem tecnologias que promovem o uso mais intensivo das áreas de pastagem e aumentam a eficiência nos sistemas produtivos, poupando terra para outras atividades produtivas e reduzindo a necessidade de desmatar florestas para expandir os pastos.

Outras medidas necessárias para aumentar a legalidade

O projeto Mapbiomas desenvolveu um estudo sobre o desmatamento no Brasil em 2021 e avaliou individualmente cada evento de desmatamento. Ao cruzar as informações desses eventos com dados de áreas protegidas, autorizações e Cadastro Ambiental Rural (CAR), verificou-se que há indícios de irregularidades em mais de 98% dos casos. Infelizmente, essa é a mesma realidade encontrada nos relatórios de 2019 e 2020.

Apesar do cenário ruim, há uma boa notícia. Do total de alertas de desmatamento, 77% deles recaem sobre propriedades com CAR, sendo 59.181 imóveis que representam 0,9% do total dos imóveis rurais cadastrados no CAR em 2021. Considerando o período de 2019 a 2021, o percentual sobe para 2,1% dos imóveis com CAR, ou 134.318 imóveis rurais.

O problema é relativamente pequeno e passível de ser identificado. Assim, é preciso que as autoridades competentes tomem uma atitude a respeito. Mais ainda, é fundamental que tenham o apoio da cadeia de valor da pecuária, pois os 98% que trabalham legalmente não podem ter sua imagem prejudicada pelos 2% que trabalham ilegalmente.